A internet como pano de fundo para a busca da perfeição.

As redes sociais são estruturas sociais compostas por pessoas conectadas, através de seus celulares, que compartilham momentos de suas vidas umas com as outras. Sendo esse um meio que se tornou o local de trabalho de muitas pessoas, como os Youtubers e os influenciadores digitais, que trabalham com essas redes, compartilhando conhecimento, rotina e publicidades, porém, muitas vezes, essas pessoas, só mostram os acontecimentos bons e dificilmente, os ruins, o que traz a ideia de vida perfeita.

Figura 1.

Nas redes sociais, os influenciadores digitais estão sempre felizes e pregam a felicidade como estilo de vida. Esses indivíduos compartilham milhares de conteúdos para seus seguidores, principalmente o Instagram, que é a rede mais usada no Brasil e que as pessoas postam fotos e vídeos, que permite aplicar até filtros digitais e essa ideia de vida perfeita pode trazer danos à saúde de ambos, seguidores e influenciadores.

Carla Furtado, mestre em psicologia e fundadora do Instituto Feliciência, diz:  “A diferença entre a felicidade autêntica, legítima e real e a felicidade postada nas redes é abismal porque a felicidade, tal qual nós abordamos via psicologia positiva, é uma experiência intrínseca, interna, que pode, claro, ser manifestada, mas nada tem a ver com a ostentação de felicidade”. Visto isso, há o conceito de positividade tóxica, uma expressão usada para abordar uma espécie de pressão pela adoção do discurso positivo.

O engenheiro mecânico Itamar Brandão Sangi, de 28 anos, disse que, atualmente se sente atingido por essa positividade tóxica das redes. “Ao conversar com uma amiga sobre academia, ela me disse que eu nunca estou 100% satisfeito com o meu corpo, aí eu parei e pensei. Eu me considero uma pessoa com uma ‘cabeça boa’, mas mesmo assim fico um pouco insatisfeito por não ter um corpo parecido com aquele influencer”. Conforme a pesquisa da Opinion Box sobre o nível de influência da opinião de pessoas famosas no Instagram, na hora de comprar e consumir produtos, 40% dos usuários da rede social disseram se sentir influenciados, sendo 15% muito influenciados pela opinião dos famosos. Tudo isso mostra o quão as pessoas são influenciadas com o que veem na internet.

Segundo a médica psiquiatra Renata Nayara Figueiredo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr),  as redes sociais podem oferecer gatilhos mentais para quem tem algum distúrbio ou transtornos psiquiátricos e agravar os sintomas. “A pessoa que já tem transtornos mentais são as mais vulneráveis, tem outros fatores de risco e a rede pode servir de gatilhos mentais para muitas coisas, por exemplo, nos transtornos alimentares, com comportamentos purgativos, de pacientes anoréxicos, ou bulímicos ”, alerta. Isso mostra que essa perfeição é um perigo à saúde mental dos indivíduos, podendo agravar a saúde das pessoas com distúrbios psicológicos.

Além dos danos causados aos seguidores, os influenciadores também sofrem com essa positividade tóxica. “Os influenciadores sofrem de uma competição constante, ficam o tempo inteiro olhando quantas curtidas tiveram, quantos seguidores ganharam ou perderam. Às vezes, [o influenciador] não quer falar sobre um assunto e acaba tendo que falar porque os seguidores estão perguntando, então causa muita ansiedade, tristeza, medo de perder alguma coisa”, disse a psiquiatra Renata.

Figura 2.

Esse é o filme “Modo Avião”, original da Netflix, que fala sobre uma jovem adulta que se torna uma influenciadora de sucesso, mas que acaba perdendo sua essência, momentos em família, e se torna uma pessoa que faz tudo por like, só que, de tanto usar o celular, ela acaba sofrendo um acidente de carro que a impossibilita de continuar com seu trabalho na internet, e ela volta para o interior, onde viveu desde pequena. Com isso, ela percebe que perdeu momentos importantes na sua vida para postar fotos e vídeos perfeitos e passar essa imagem de vida perfeita, sendo que ela perdeu vários momentos com seus pais, vivia um relacionamento de mentira, ou seja, por trás das câmeras não estava tudo bem. Essa situação acontece com vários famosos, tanto que vários deles já ficaram um tempo longe das redes sociais para cuidar da sua saúde mental, como o Padre Fábio de Melo, “Tenho uma saúde emocional a ser cuidada. Sei o quanto já provei a solidão provocada pela depressão, pelo pânico. Tomar remédios só faz sentido quando evitamos os gatilhos dos desconfortos. Este lugar deixou de ser saudável para mim”, disse ele.

Além disso, os brasileiros ficam em média 6 horas e 43 minutos por dia conectados nas redes sociais, de acordo com o site Visia, sendo que a média saudável por dia de uso da internet é de 30 minutos.

 

Para finalizar, vê-se que o uso excessivo das redes sociais pode ser muito prejudicial à saúde dos seres humanos. Essa positividade e exigência de perfeição inatingível acabam frustrando as pessoas, e se tornam tóxicas para ambos os lados, seguidores e influenciadores. Todos esses dados e relatos mostram que a vida real é bem diferente do que é mostrado na internet, e que toda essa pressão de estilo de vida perfeita pode desenvolver ou até piorar distúrbios psicológicos, como a ansiedade e a depressão.

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