As problemáticas da Cibercondria na sociedade brasileira.

A Cibercondria ou Hipocondria digital é uma doença psicológica caracterizada pela obsessão dos indivíduos com o seu estado de saúde, que faz com que eles consultem, através da internet, seus sintomas para chegar a um diagnóstico. Isso gera uma ansiedade, pois, na internet, tudo nos leva a acreditar que estamos com tal doença, à automedicação, que pode trazer o agravamento da doença, e a combinação errada de medicamentos, que pode anular ou potencializar o efeito do outro, ou seja, é um risco à saúde humana.

Figura 1.

26% dos brasileiros recorrem primeiramente à plataforma de pesquisa ao se deparar com um problema de saúde, conforme os estudos do site Estadão. É comum pesquisar sobre doenças na internet, o problema é o excesso dessa pesquisa e o autodiagnóstico causado por ela, que leva à Cibercondria, porque o Google não é formado em medicina e nem sequer é humano. Segundo as pesquisas da Universidade de Baylor, nos Estados Unidos, as consequências desta patologia são a ansiedade e a depressão, as quais o Brasil lidera os casos, de acordo com os estudos da CNN Brasil. Esses transtornos psicológicos geram pânico e desespero das pessoas ao acharem que estão com alguma doença. Outra consequência é a automedicação, que, como já dito é um risco à saúde humana. Muitas vezes, as informações sobre tais doenças estão corretas, porém, é necessária uma avaliação médica para fazer exames e comprovar o diagnóstico.

Um desafio que trouxe o aumento das buscas na internet sobre doenças foi o fato de que a maioria da população brasileira não tem plano de saúde. A gerente de Insights e Analytics da Google Brasil, Fabiana Kawahara, diz: “Mais de 70% da população brasileira não tem plano de saúde, a maioria não vai ao dentista, mas essa população é sedenta por informação. Na falta de acesso ao sistema de saúde, o brasileiro recorre à internet para solucionar seus problemas.” 

 

Mas e o Sistema Único de Saúde(SUS)? 

 

Ele foi criado em 1953, para que toda a população tivesse acesso, e ele funciona e tem ótimos profissionais, só que ainda enfrenta muitos desafios, como: falta de médicos, de leitos, de investimento financeiro e também há uma grande espera para atendimento. Segundo o site Toda Matéria, em 2018, apenas 3,6% do orçamento do Governo Federal foi destinado à saúde, sendo que a média mundial é de 11,7%.

Figura 2.

No Brasil, 79% das pessoas com mais de 16 anos admitem tomar medicamentos sem prescrição médica ou farmacêutica, conforme o Instituto de  Ciência, Tecnologia e Qualidade. O ato de tomar remédios por conta própria pode trazer consequências graves, como o agravamento de uma doença, reações alérgicas, dependência, e se o remédio for antibiótico, a atenção deve ser sempre redobrada, pois o uso abusivo destes produtos pode facilitar o aumento da resistência de microrganismos, o que compromete a eficácia dos tratamentos. Outra preocupação em relação ao uso do remédio é a combinação, que pode anular ou potencializar o efeito do outro, de acordo com o Ministério da Saúde.

A bacharel em Turismo, Bruna Pierre, automedicou-se e relata ter chegado perto da morte. Ela chegou a ficar 18 dias em coma após ter tomado, por conta própria, um remédio para combater a febre. Ela diz:  “Tive uma intoxicação decorrida de um remédio que sempre tomei, desde criança. Na época, eu tinha 21 anos, e, logo depois que tomei o remédio, comecei a passar muito mal e desmaiei em casa. Tive três paradas cardíacas e duas respiratórias no mesmo dia. Fiquei em coma durante 18 dias, e, quando acordei, eu nasci de novo. Tive que reaprender a falar e a andar. Fiz fisioterapia e fui ao fonoaudiólogo, foi muito complicado”. Um caso que era simples se tornou tão grave pela ingestão de remédios sem prescrição médica.

 

Para finalizar, todos esses estudos e relatos mostram o quanto as pesquisas na internet sobre o estado de saúde dos indivíduos vêm aumentando e trazendo mais e mais consequências, as quais podem levar as pessoas a óbito, com o autodiagnóstico, sem consultas médicas e sem comprovação de exame que leva a uma ansiedade desnecessária e à automedicação, o que como já mostrado no texto, pode colocar em risco a vida dos seres humanos.

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