A Educação domiciliar: uma boa ferramenta de aprendizado ou apenas uma medida privativa?

 

Ao longo dos anos, na escola, aprendemos na filosofia sobre como o ser humano é um ser político, que pede por interação social, porém, com o passar dos anos e com o avançar da tecnologia, estamos nos refugiando cada vez mais nas nossas bolhas sociais, fugindo de interações SOCIAIS esporádicas e um dos resultados disso é uma sociedade mais egoísta e antipática.
A partir dos primeiros anos das crianças na escola, é o momento em que ela começa a interagir com outras realidades, com outras pessoas e a partir daí, se inicia um processo de descobrimento, elas aprendem a partilhar, a entender e a respeitar, pelo menos na teoria deveria ser assim. O que quero dizer é que a escola, por mais que possa ter sido aterrorizante para alguns, têm esse papel de simular uma mini sociedade, de promover uma prévia de como se deve lidar com o mercado de trabalho e com as competições que o mundo real guarda.
Essa medida também pode ser uma afronta A um dos direitos estabelecidos pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular) “exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação”, porque, dentro do ambiente familiar, existe uma estabilidade que não está presente no mundo exterior, é preciso criar maneiras de manter relações, remediar problemas e entender situações que não aconteceriam com você, mas que é preciso se ter respeito.
Quando se fala em tirar essa experiência da vida de crianças e de adolescentes, é necessária uma grande análise de prós e contras, e principalmente, é necessário analisar o porquê desse requerimento. Muitos pais alegam insatisfação com o ensino das escolas dos filhos ou até mesmo motivos religiosos e também relacionam a educação brasileira COM a de outros países, o que requer mais informação do que uma simples comparação, porque não vai ser a legalização do “homeschooling” que vai resolver todos os problemas da educação brasileira.
É claro que existem pontos positivos, como a adaptação do currículo de acordo com a necessidade do estudante, uma maior atenção que não aconteceria em uma sala de aula, mas também existe a não qualificação de pais, que, em sua maioria são leigos para serem pedagogos e também uma falta de liberdade para se desenvolver e resolver seus próprios problemas e dilemas. Outro ponto negativo é que seria ainda mais difícil de descobrir casos de abuso infantil, dado que, de acordo com o Ministério da Mulher, Família e direitos humanos, 73% dos casos de violência contra crianças e adolescentes são cometidos na sua própria casa e, desses casos 40% dos responsáveis por eles são os padrastos e os pais.
Existem outros problemas na educação brasileira que deveriam ganhar prioridade no debate, como a alfabetização, a evasão escolar, a melhora das instituições escolares E salários melhores para os professores. Medidas que fossem surtir efeito em toda a sociedade e não apenas em uma parcela que tenha dinheiro  suficiente para pagar tutores e atividades extracurriculares.

Por Fernanda Dias – Estudante de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – UFS

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