A fuga do capital humano do Brasil

A situação educacional no Brasil está ruim, e ao olharmos para a parte de pesquisas científicas, é ainda pior. Segundo dados da última pesquisa de Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, de 2018, o Brasil investiu 1,26% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2017. O valor fica bem abaixo de países que lideram a corrida tecnológica – como Coreia do Sul (4,55%), Japão (3,21%), Alemanha (3%), Estados Unidos (2,79%) e China (2,15%).
Esse baixo investimento em tecnologias tem sido exposto principalmente esse ano, a dependência do SUS de equipamentos estrangeiros durante a pandemia só mostra o quão debilitado está o investimento em ciências no Brasil.

Em uma entrevista à TV Senado, o senador Cristóvão Buarque ao ser perguntado sobre a fuga de capital humano no Brasil, respondeu:

“É como um suicídio nacional, porque o que faz o futuro de um país é o conhecimento, o que vale daqui para frente é o conhecimento, antigamente era a mão, mão hábil, que fazia uma peça no torno, agora é o conhecimento, criando produtos como esse (ele aponta para o microfone) e tudo que está por aí, sabendo usar as máquinas inteligentes. É a ciência que faz a vida hoje, dando remédios, equipamentos e conhecimentos médicos e ao abandonarem o Brasil, nós ficamos sem conhecimento e sem conhecimento é como antigamente sem ouro […] O Brasil está jogando fora o conhecimento que estava acumulando.”

Para um país crescer, é necessário investimento em educação, saúde e todas as necessidades básicas para que a população cresça capaz de fazer com que a nação continue a crescer, e o que não falta no Brasil são mentes brilhantes, mas sem acesso a equipamentos, aí que entra a fuga de capital intelectual, outros países que realmente dão valor a esse tipo de conhecimento e exportam nossos cientistas, os oferecem material, prestígio, estabilidade, ou seja, tudo que dificilmente encontrariam aqui, um lugar em que as Universidades são desrespeitadas, professores não ganham salários dignos e os programas de investimento científico são constantemente podados.
Durante a pandemia estamos vendo que, mesmo com pouco investimento, inúmeras universidades públicas estão se esforçando para produzir álcool gel e até testes para o diagnóstico da Covid-19. O que mostra a qualidade do serviço mesmo com um investimento medíocre, o que seria da nossa ciência se recebesse a atenção necessária? Não posso falar o que exatamente aconteceria porque não sou a dona da verdade, mas é provável que isso faria o Brasil crescer novamente.
Durante a Guerra Fria, um dos mecanismos que os E.U.A usaram para tentar vencer a URSS na corrida espacial foi o investimento em educação, que teve os seus frutos colhidos e ainda os colhem, seria extremante lindo se, ao invés de investir em auxílio-terno ou em salários altíssimos de políticos, esse dinheiro fosse direcionado a causas que realmente importam e movem o Brasil.

 

Por Fernanda Dias – Estudante de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – UFS

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