Analfabetismo funcional no Brasil

Antes de começarmos a discutir sobre as causas e consequências do analfabetismo funcional no Brasil é preciso entender o que é isso. O analfabeto funcional é aquele que sabe ler e escrever, segundo o Glossário Ceale, porém não tem total compreensão sobre aquilo que está fazendo, ele identifica algumas letras, consegue formas algumas palavras, mas não consegue extrair as informações que estão intrínsecas àquele texto, não consegue interpretar, como é representado na figura 1.

Figura 1

Conseguimos perceber isso no nosso cotidiano facilmente. Imagine um aluno que acabou de sair do ensino médio, conseguiu entrar na faculdade e se depara com textos acadêmicos usando palavras que ele nunca viu, ele provavelmente vai sentir dificuldade em entender o que está sendo exposto, certo? Contudo, com uma pesquisa em um dicionário ou na ‘internet’, ele sana rapidamente essa dúvida.

Agora, imagine se isso não acontecesse somente com textos acadêmicos, mas sim com textos do nosso dia a dia, mensagens no Whatsaap, Facebook ou Instagram.

De acordo com o Inaf (Instituto Paulo Montenegro), seu estudo de 2018 apontou que cerca de 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, o que é preocupante, porque é uma taxa alta que impacta diversos setores da sociedade, se essas pessoas não conseguem interpretar notícias, entender uma bula de remédio ou até mesmo um contrato de aluguel, elas ficam suscetíveis a caírem em golpes que podem causar sérios danos às vidas delas, é mais que uma questão educacional, é praticamente uma questão de saúde pública.

Ainda de acordo com o Inaf 2018, como podemos ver no gráfico 2, a relação entre analfabetos funcionais e o nível de escolaridade é inversamente proporcional, quanto mais escolaridade, menos analfabetos e assim por diante, o que mostra que uma das soluções possíveis é o investimento na educação pública brasileira e também o interesse do Governo em produzir seres pensantes e não, apenas, trabalhadores braçais.

Gráfico 2

Retomando a questão de não conseguir interpretar mensagens simples, essas pessoas também ficam mais frágeis a notícias falsas e a disseminá-las, o que sabemos ser um grande problema na sociedade atual. De acordo com o Brasil escola:

“Por causa do crescimento de casos de sarampo no Brasil em 2018, o Ministério da Saúde teve que promover campanhas de vacinação. Para combater as fake news sobre o assunto e incentivar a participação nas campanhas, o Ministério da Saúde (MS) precisou lançar propagandas e informativos de combate às fake news sobre vacinas em diferentes veículos de comunicação e nas redes sociais.”  (CAMPOS, s.d.)

Para finalizar, volto a ressaltar a importância de um investimento na Educação básica, com o intuito de fortalecer a nossa sociedade e assim progredirmos, um país que investe em educação e saúde nunca se arrepende ou tem prejuízos por conta disso.

 

 

Fernanda Dias – Estudante de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – UFS

 

 

Redação da Semana: Analfabetismo funcional no Brasil

 

 

Referências

CAMPOS, L. V. (s.d.). O que são Fake News? Fonte: Brasil Escola: https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/o-que-sao-fake-news.htm. Acesso em 05 de janeiro de 2021.

N/A. (s.d.). Taxa de Analfabetismo no Brasil. Fonte: Gazeta do Novo: https://infograficos.gazetadopovo.com.br/educacao/taxa-de-analfabetismo-no-brasil/

LIMA, Ana; CATELLI JR, R. INAF Brasil 2018, Resultados preliminares. Instituto Paulo Montenegro, ação social do IBOPE, 2018.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *