Automedicação e suas Consequências

Atire a primeira pedra aquele que nunca tomou uma dipirona para dor de cabeça, ou algum outro remédio sem prescrição médica só porque sabia que iria aliviar a dor. Então, essa atitude, infelizmente, é extremamente comum entre as famílias brasileiras e é até cultural.

A automedicação por mais insignificante que pareça ser tem impactos na sociedade mais do que se possa imaginar. Só para se ter uma ideia da gravidade do assunto, o Ministério da Saúde criou, em março de 2007, um Comitê Nacional para Promoção do Uso Racional de Medicamentos (URM) – uma instância colegiada, representativa de segmentos governamentais e sociais afins ao tema e com caráter deliberativo.

As consequências da automedicação são diversas, dentre elas estão: intoxicação, dependência, reações alérgicas e uma das mais perigosas, o aumento da resistência de microrganismos. Essa última é causada pela ingestão sem prescrição e em excesso de antibióticos, tal atitude pode causar essa maior resistência, como também deixar tratamentos, que hoje funcionam, ineficazes.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINTOX), em 2003, os medicamentos foram responsáveis por 28% de todas as notificações de intoxicação, o que é algo alarmante, porque indica o uso irregular de substâncias, que na teoria deveriam ser as responsáveis por nos manter bem.

Mas a questão é, como resolver esse problema? A resposta simples seria que no momento em que você se sentisse mal corresse para o médico ao invés de ir à farmácia e utilizar algum medicamento que você pensa que vai servir. Porém, não é assim que funciona, uma pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 69,7% dos brasileiros não possuem plano de saúde particular, ou seja, a maior parte da população brasileira tem dificuldade em acessar tratamentos adequados. E esse número é mais expressivo ainda em camadas sociais mais baixas, de acordo com essa mesma pesquisa esse percentual é ainda maior entre as pessoas das classes C, D e E, atingindo 77%.

Aí você pode lembrar “E o SUS? Ele também é uma opção.” Sim, ele é uma opção, porém ele não consegue lidar com tudo que está acontecendo e se todo mundo fosse procurar ele por uma dor no estômago ele estaria mais lotado do que agora. Não que eu esteja maldizendo do SUS, ele é um exemplo de Sistema de Saúde que pode funcionar e já foi muito elogiado, a questão é a sua má administração que o deixa sucateado, o que interfere diretamente na saúde da população.

Voltando ao tema da automedicação, atualmente estamos vivendo uma pandemia e vendo escancaradamente os efeitos de uma ingestão de medicamentos ineficazes e sem nenhuma prescrição médica, A Hidroxicloroquina e tantos outros medicamentos que foram apontados como salvadores da pátria, mesmo sem nenhuma comprovação científica são as provas de que o automedicamento pode ser perigoso. E é aí que entra outro resultado negativo do uso indiscriminado de remédios, a camuflagem de outras doenças, o agravamento delas ou até mesmo o corte do efeito de outros remédios.

Não só são remédios tarja preta que podem causar malefícios se tomados de forma irresponsável, dipirona, paracetalmol, ibuprofeno, todos eles têm consequências. Então fica a dica, não usem sem necessidade, se preciso vão ao médico ou ao menos leiam a bula.

Por Fernanda Dias – Estudante de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – UFS

 

Fontes: Agência Brasil, Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

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