Cidade sonolenta

A cidade estava sonolenta. Essa era a minha impressão ao cortar a rua da minha casa. Estava tudo quieto, um silêncio quase absoluto, senão fosse o barulho da televisão de uma casa com a porta entreaberta e uma criança inquieta que beijava a testa da vó, enquanto a mãe sorria e uma senhora colocava  as mãos na cabeça, sentados no meio fio.

Um fusca azul reluzia diante da luz do sol. Algumas casas pareciam não ter ninguém. Apenas uma moto passou por mim, quando, espantado, tinha sono diante de uma calmaria abrupta.

[Contradições, ruídos, em sensações…]

Andava como se percebesse as minhas pisadas sobre os ladrilhos, como se ouvisse os meus passos com mais acuidade, mais próximos de mim, como se eu pudesse sentir coisas nunca antes notadas. Ao mesmo tempo, sentia sentimentos a me tomar de assalto: um samba melancólico.

Fui costurado por memórias remendadas, silêncios e uma ignorância sobre o que passava pelas minhas vistas.

Talvez essa ignorância explique a minha incompetência de dizer o que escrevo com clareza.

Mas só sei que a cidade estava modorrenta. Pareceu um pedido para contar os passos antes de ser devorado por eles.

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