Lutando para ser o que é

No sul dos Estados Unidos nasceu Eunice Kathleen Waymon com um talento para a música revelado desde a infância. Seu sonho era ser a primeira pianista clássica negra. Tornou-se Nina Simone. Brilhante e amada. Batalhadora dos direitos civis, dona de uma personalidade forte, de mãos habilidosas no piano e uma voz que arde e rasga.

Exibido no Brasil pela Netflix, o documentário “What happened, miss Simone?” apresenta uma noção da vida da percussora do jazz e blues e da sua música, que foi e continua sendo expressão politica do povo negro. Além de registrar o cenário caótico sócio-político nas décadas de 60 e 70 nos Estados Unidos.

Fonte: Getty Images

A vida de Nina foi extremamente conturbada. Como sua música, ela poderia ser apaixonante ou violenta, uma vez que sofria de transtorno bipolar que fora diagnosticado tardiamente. Sua carreira era gerenciada por um marido abusivo, que a agredia e a compelia a uma rotina de apresentações exaustiva.  O documentário conta com depoimentos do seu marido, da sua filha e de amigos.

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“Quando ela se apresentava, ela era brilhante, era amada […] Porém, ao fim do espetáculo todos iam para casa. Ela ficava sozinha e continuava lutando, combatendo seus próprios demônios, tomados de raiva e fúria.” diz, Lisa Simone Kelly, filha de Nina.

Durante a sua vida ela tornou-se outra pessoa. Lutou e não viu êxito em sua luta, perdeu amigos e abandonou sonhos. O filme é uma mistura de questões abertas, impotência, indignação e fascínio. Além de ser uma excelente produção, o documentário é, ainda, um material ideal para trabalhar de forma criativa em aula: a superação do racismo, temas como bipolaridade, relações abusivas e conhecimento musical.

 

Texto por: Kemily Abreu – Estudante de Jornalismo – Universidade Federal de Sergipe

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