O sistema de transporte brasileiro e seus problemas

Insatisfação, descontentamento e reinvindicação. Durante uma semana o país parou do por causa desses e outros mais motivos levantados pelos caminhoneiros. Além de pautas como a redução do preço do diesel, é válido ressaltar como as más condições das estradas fazem com que o trabalho dessa classe seja ainda mais dificultado. Ainda que o principal sistema logístico do Brasil seja o transporte rodoviário, que é responsável pelo tráfego de cargas e passageiros, as condições não são das melhores.

Apesar de o país apresentar uma quantidade considerável de rios navegáveis, o sistema rodoviário ainda foi a preferência, uma vez que a ideia de montadoras no Brasil poderiam gerar mais emprego, causando, então, uma ilusão de desenvolvimento. A paralização, inclusive, mostrou como o país é dependente das rodovias, ainda que existam outros caminhos que poderiam ser utilizados.

Além do fato de haver bons rios, esse meio de transporte seria até mais benéfico que o atual. Em entrevista ao jornal Nexo, o engenheiro logístico, doutorando na USP e consultor Elcio Ribeiro afirmou que o transporte hidroviário é muito menos poluente, muito mais seguro e mais barato. Porém, não chega a ser usado nem 5%.

Segundo uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Trânsito (CNT) em 2016, quase 60% das rodovias brasileiras apresentam problemas de sinalização, pavimentação ou geometria, consideradas, então, entre péssimas, ruins e regulares. Além disso, a CNT encontrou, em seu estudo, 414 pontos críticos, que são trechos com quedas de barreiras, buracos grandes, pontes caídas e erosões.

Foto: Divulgação

Por apresentar todos esses problemas, as estradas ocasionam, também, acidentes e mortes. De acordo com a CNT, o estado de Minas Gerais apresenta três dos 10 trechos mais perigosos de estradas federais brasileiras. O ranking de acidentes ocorridos entre 2007 e 2017 apontou para a morte de quase 12.400 pessoas. Um dos motivos que levam a esse resultado é a qualidade ruim da estrada, uma vez que o volume de tráfego é alto.

Foto: Paulo Filgueiras

Mesmo com essa situação, na qual há números confirmando fatos preocupantes, ainda não se vê um posicionamento adotado pelos governantes. A realidade é assustadora e ainda assim não se tem perspectiva de melhora.

 

Matéria por: Camila Gerônimo – Estudante de Jornalismo – Universidade Federal de Sergipe

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