Os dias que já se foram

Os dias estão passando rápido, num piscar de olhos, para ser mais exata. Sete meses praticamente já se foram e tudo mudou tão drasticamente, que nem tivemos tempo de respirar, não deu nem para prepara o coração, a cabeça, nem nada, tudo só se foi e o que restou foi um presente confuso e uma mente desorientada.

É bem provável que essa sensação de velocidade seja porque não fizemos “nada”, nada do que era habitual, os aniversários simplesmente passaram, as festas e os dias também. Nossa configuração de percepção foi alterada e o resultado foi esse, dias que pareceram poucas horas, semanas que pareceram poucos dias, meses que nem vi passar e um ano caótico que será marcado por parecer ter sido rápido, porém destruidor.

Se eu fosse falar tudo de diferente que ocorreu esse ano existe uma probabilidade de que eu não conseguisse terminar de escrever, o que passou doeu demais para que seja lembrado tão cedo, a ferida ainda está aberta e sem previsão de quando irá cicatrizar.

Durante o surrealismo, Dalí pintou a “Persistência da Memória” que era retratada por um relógio derretendo, que representava o quanto o tempo pode ser marcante, na arte, ou na vida de alguém. Antes vieram os futuristas, que acreditavam na velocidade, nas mudanças da automação e na necessidade de esquecer o passado. Atualmente, temos um relógio distorcido pelo desespero que nos acomete em meio a incerteza sobre as nossas vidas e o querer se  esquecer do passado para não se machucar, mas é preciso entender que o tempo não volta e esquecer algo é mais difícil que lembrar.

 

 

Por Fernanda Dias – Estudante de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – UFS

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