Você é privilegiado? Consegue lidar com o EAD ou está surtando?

[…] o ponto principal é que nem todos tem acesso à internet e mesmo que tenha isso não quer dizer que ela vai ser boa, ninguém consegue assistir uma “live” de algum professor ou uma sequência de vídeo aulas usando o 3G e se conseguir não vai durar, quem usa pré-pago sabe que tem que poupar a franquia

O ano não tá fácil pra ninguém, definitivamente 2020 não vai ser lembrado com bons olhos por boa parte do mundo, sabemos que a pandemia atingiu diversos setores da sociedade e um deles foi a educação. É desse setor que iremos falar hoje, mais especificamente sobre o EaD (sinto que apenas ao ler essa palavra muitos sentiram calafrios e tá tudo bem), o Ensino à Distância é uma modalidade de ensino que a maioria das escolas e faculdades adotou para continuar com as aulas durante esse período caótico que vivemos, porém não é a primeira vez que vez que ele é usado.

O mundo é frenético e complexo e desde que a internet se tornou comum pra muitas pessoas, ela começou a ser usada como meio de comunicação e foi um pulo pra ela ser adaptada ao mundo dos estudos. Tenho certeza que você, meu querido leitor, já ouviu falar de algum cursinho on-line que trata assuntos do Enem, de Vestibulares e Concursos. Eles são bem comuns, e muitas vezes não substituem o contato aluno-professor. Mesmo que o EaD já tenha sido usado atualmente tomou proporções enormes e em pouco tempo, o que gerou em muitos estudantes e docentes estresse e ansiedade e o pior de tudo deixou a desigualdade social no Brasil, que já era bem grande, ainda mais evidente e arrasadora.

Vivemos em mundo Globalizado, mas pra quem? De acordo com o IBGE 1 em cada 4 brasileiros não tem aceso a internet, ou seja, 46 milhões de pessoas não estão incluídas no cenário frenético e inquietante da web, dessas pessoas que afirmaram não possuir internet, 63,4% não sabem usar ou não tem dinheiro para pagar pelo uso dela. Agora que os parâmetros de conexão foram estabelecidos voltaremos para o tema principal.

Pontos Positivos

É claro que existe boas coisas no Ead, só a probabilidade de manter a educação rolando em meio a uma pandemia já é incrível, não podemos o desmerecer, esse mecanismo de ensino está sendo fundamental para a manutenção de aulas e proporcionar a interação entre as crianças e seus professores, porque sim elas são um dos grupos mais afetados com a distância, é fundamental para o desenvolvimento delas o contato com outras e crianças e com outros adultos, principalmente com sua professora com quem muitos criam um vínculo afetivo. Outro ponto positivo é a flexibilidade proporcionada por esse tipo de instrução e em futuro mais igualitário em questão de distribuição de internet pode ser uma solução adequada para a evasão escolar, tendo em vista que muitos largam a escola porquê precisam trabalhar e o seu horário não bate com o das escolas tradicionais.

 

Pontos Negativos

Essa parte rende muito pano pra manga, porém tentarei não ser tão chata. Acho que o ponto principal é que nem todos tem acesso à internet e mesmo que tenha isso não quer dizer que ela vai ser boa, ninguém consegue assistir uma “live” de algum professor ou uma sequência de vídeo aulas usando o 3G e se conseguir não vai durar, quem usa pré-pago sabe que tem que poupar a franquia. Outra coisa que influência na negatividade do Ead é que não existe o contato com o professor e com o resto da turma, por mais que eu saiba que tem muita gente que não suporta alguns professores e detesta muitas pessoas da turma, é inegável que todos acabam formando algum laço afetivo com a escola, seja só o de ir na cantina e conversar com a “tia” ou interagir com o seu grupo de amigos, o calor humano é necessário, principalmente porquê esse contato é um dos responsáveis pelo amadurecimento e desenvolvimento do aluno.

Segundo o Senso Escolar de 2018 77,84% do estudantes brasileiros estão matriculados em escolas públicas, não necessariamente significa que o aluno não vai ter oportunidade de acessar a internet, porém a pesquisa TIC Educação 2019, aponta que 39% dos estudantes de escolas públicas urbanas não têm computador ou tablet em casa, o que dificulta o ensino remoto, principalmente no meio da pandemia que estamos vivendo.

Por fim o último aspecto negativo que é extremamente importante “Nem todo pai consegue ensinar as lições do colégio ao seu filho”, esse tópico é mais referente ao ensino fundamental I, II e infantil. Muitos pais estão trabalhando em casa e precisam conciliar o “home office” e o ensino das matérias aos seus filhos o que pode ser um grande desafio, o que piora se considerarmos que 7% das pessoas acima de 15 anos é analfabeta no Brasil (de acordo com IBGE).

Por: Fernanda Dias – Estudante de Comunicação – UFS

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