A palavra

A palavra amor. A palavra carinho. A palavra mar. A palavra sozinho. A palavra céu. A palavra anil. A palavra destino. Imensas e pequenas, tantas e tantas, desconhecidas e próximas, as palavras andam entre nós, estão aqui, estão em você, estão no pergaminho e estão no silêncio, no que não tem explicação, no sentimento e na receita do coração e na receita do médico. Na reclamação da mãe ou da tia, no alvará e no rabisco. Sem mesmo notar, elas falam e falam mais do que a gente pensa, comunicam e simplesmente não pedem licença, aproximam e nos avizinham do mundo que a gente acredita, do mundo que o outro escreve e do mundo que ainda a gente não sabe o nome, porque viaja, sente o que pesa dentro de nós e alivia o que voa rapidamente. E este planeta de letras que se juntam a outras letras, vogais e consoante,  forma o incrível significado do mundo- as palavras- as que nos permitem tornar o som da nossa alma, a letra do canto do silêncio e o vazio de uma noite insone em traduções; as que nos permitem chorar e dizer que as lágrimas que escorrem nos  nossos olhos se chamem choro,  o sorriso largo ao ver alguém se chame afeto, o riso de uma piada tenha nome de cômico, comédia, rolagem, a passagem por esse mundo se conheça por vida, a eternidade se encaixe no sentido de Deus, as que permitem chamar você, tu, sua mãe, seu pai; aquela que permite .. . Quando você chama, invoca e diz algo, muito das palavras há ali. Pense as palavras de estimação que você fala com você e com seus amigos. A palavra que você dá quando está só. A palavra que você diz quando está triste e alegre da vida. Aposto que já soou dos lábios de vocês: manga, caju, mamão, te amo, mamã, pa – i- nho, vo- vó. Porque a palavra nasce o mundo. Você se apresentou ao mundo pelo ventre das palavras. Ao chorar, ao dizer com seu vocabulário de recém-nascido, com seu gesto. Mesmo que não acredite, você também é uma palavra. E imagine uma sociedade sem palavras. Como você expressaria o que há dentro de ti? Como saberia a sua história e a história ao seu redor? Como eu falaria com vocês agora? Como? Das minhas poucas certezas, sei que elas estão nos livros, nos poemas e no dicionário, mas arrisco-me a dizer que elas existem para representar a força da vida, o triunfo da vida, a glória e a inglória de ter um nome para falar o que não temos muito para dizer.

 

Crônica por: Abel Serafim – Estudante de Jornalismo – Universidade Federal de Sergipe

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