Corrupção X Jeitinho Brasileiro

De acordo com a Wikipédia, a corrupção, na esfera das relações humanas em particular, está relacionada ao suborno: ato ou efeito de se corromper, oferecer algo para obter vantagem em negociata em que se favorece uma pessoa e se prejudica outra.

Frequente e majoritariamente associado à política, o ato de corromper vai além desse âmbito, além de ser dividida em dois tipos: corrupção ativa e corrupção passiva. Chama-se de corrupção ativa, conforme o artigo 333 do Código Penal, o ato de oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício. Um exemplo prático desse tipo de corrupção é o pagamento de propina a um agente de trânsito, oferecida pelo condutor.

                                                         Fonte: Virgulistas

Já a corrupção passiva, como está escrito no artigo 317 no Código Penal, é o ato de solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função, ou antes, de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem. No cotidiano, essa postura é observada quando um condutor infringe alguma lei e o agente de trânsito propõe algum tipo de pagamento para não notificar a infração, por exemplo.

Entre os anos de 2013 e 2017, o Estado verificou que 57% dos inquéritos, envolvendo crimes de corrupção, tanto passiva quanto ativa, foram concluídos em todo o Brasil. No entanto, os dados do Índice de Percepção de Corrupção (IPC) mostram outra realidade.

Fonte: Acesse Notícias

No dia 21 de fevereiro de 2018, a Transferência Internacional divulgou o IPC, que apenas confirmou o que a população brasileira já sabia: em 2017, o país estava na 79ª posição. Em 2018, caiu 17 posições, e ocupa, então, o 96º lugar, em um total de 180 países. Alguns dos aspectos analisados por especialistas são propina, desvio de recursos públicos, burocracia e a capacidade dos governos de conter a corrupção e a queda do Brasil no ranking significa que, ao se tratar de corrupção, o país tem falhado.

Entretanto, a corrupção vai muito além do ambiente político. É muito comum se deparar com cidadãos reclamando dos políticos, da impunidade ou da ineficiência do poder público, mas na primeira oportunidade de obter vantagem, não pensam duas vezes. Esse é o famoso jeitinho brasileiro, que está relacionado, de modo abrangente, à maneira que o povo brasileiro tem de improvisar soluções para situações problemáticas, usualmente não adotando procedimentos ou técnicas estipuladas previamente, segundo o Wikipédia.

Em época de eleição, ser fiel a um candidato e votar nele sem receber nada em troca é sinônimo de burrice. Por que não receber dinheiro de dois, três candidatos? Essa é a opinião majoritária. Já são até normais situações como essa e esse é um dos vários exemplos de corrupção. Furar fila de supermercado, receber troco a mais e não devolver, assinar o nome de outra pessoa na lista de presença da faculdade são exemplos clichês, mas que realmente acontecem e que também são corrupção.

Em 2015, uma mulher foi presa em Belém-PA por falsificação de carteiras estudantis. Acionada por redes sociais, a mulher falsificava outros diversos documentos e fazia a entrega em vias públicas. Mas ela não era a única a se beneficiar dessa maneira. É fácil encontrar, na internet, pessoas que fazem falsificações e vendem até mesmo no mercado livre.

A corrupção, então, está presente em muitas esferas e, principalmente, no cotidiano. Para poder reclamar da postura adotada pelos superiores, então, deve-se adotar uma postura diferente no dia a dia.

Matéria por: Camila GerônimoEstudante de JornalismoUFSUniversidade Federal de Sergipe

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