Bolhas sociais e suas consequências

Você já percebeu que a cada dia que passa a sociedade está mais intolerante? Debater sobre um assunto um tanto polêmico sempre acaba em ataques cobertos de xingamentos. Parece que o mundo desaprendeu como dialogar. E isso é culpa das nossas bolhas. Por mais que você pense que não, você está numa bolha e nem notou.

Facebook, Instagram, Youtube e até Google têm filtrado o que mostrar em seus feeds, de acordo com o gosto de cada pessoa. Por exemplo, se você é de direita, seu Facebook irá mostrar páginas referentes à esse posicionamento. Se você pesquisa algo no Google, é provável que esse produto apareça em formato de anúncio em suas contas das redes sociais.

Falando dessa forma, pode parecer que isso é uma coisa 100% boa, mas não é. Apesar de passar a ideia de proteção, a bolha social limita e ilude quanto à natureza da nossa realidade. Essa realidade proporcionada, por vezes, pelas redes sociais – e que excedem a tela do celular – tem impedido que as pessoas leiam sobre coisas diferentes, assuntos que por conta própria elas não acessariam e, assim, acabam tendo uma visão fechada sobre as questões que movem o mundo. Ao entrar em debate com pessoas que tem uma opinião diferente, ao invés de se formar argumentos sólidos e resultar em um pensamento mais completo sobre o tema, o que acontece é o inverso. As pessoas se fecham em seus mundos, não procuram entender e debater sobre o ponto de vista alheio, pois apenas acreditam que apenas o seu está certo. É comum, até, ver pessoas “descerem o nível” e partir para a grosseira e desrespeito.

O tema já havia sido abordado, em março de 2017, pelo youtuber Felipe Castanhari, que fez um vídeo falando sobre as bolhas sociais e como ele mesmo mencionou políticos, é bom lembrar que em época de eleições o cenário piora. Escolher um candidato para votar já é motivo para parar de seguir no Instagram, desfazer amizade no Facebook e evitar tocar no assunto em uma roda de conversa.

Vivemos em um país democrático, porém a atuação disso está comprometida. É preciso entender que certo e errado está relacionado à uma questão de ideais e princípios. O que é certo dentro da sua realidade pode ser errado na realidade alheia. Como já diria Jacinto Silva, cada cabeça é um mundo. Por isso é necessário, saber ouvir e saber a hora de falar. Agressões não solidificam pensamentos nem engrandecem, como acontece dentro de um diálogo saudável.

 

Texto por: Camila Gerônimo – Estudante de Jornalismo – Universidade Federal de Sergipe

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